IFRS – O mercado segurador brasileiro está preparado?
As seguradoras brasileiras tem um grande desafio pela frente, pois necessitam adequar-se ao padrão internacional de contabilização (IFRS - Internacional Financial Report Standards) até 2010, apresentando as demonstrações financeiras conforme o modelo IFRS.
Essa adequação não se restringe apenas as seguradoras, mas exige também a adaptação de todas as empresas de capital aberto e instituições financeiras. As principais normas as quais o mercado segurador deve se adaptar são o IFRS 4 (contratos de seguro), a IAS 39 (instrumentos financeiros) e a IAS 18 (reconhecimento de receita).
As seguradoras precisam agir rapidamente para adotar o modelo IFRS dentro dos prazos estipulados pelos Órgãos Reguladores, pois de acordo com a experiência européia, um projeto de conversão para o modelo IFRS pode levar dezoito meses. Para empresas com maior facilidade de adaptação as normas IFRS a média pode cair para nove meses.
O IASB (Internacional Accounting Standards Board), responsável pela edição e atualização das normas internacionais de contabilidade, divulgou que mais de 100 países do mundo já requerem, de todas as companhias listadas nas bolsas de valores locais, a apresentação de suas demonstrações financeiras em formato IFRS. Outros exigem a adoção para determinadas grupos de empresas ou permitem a adoção das IFRS pelas companhias.
O Brasil já trilha o caminho para a adoção do padrão internacional de contabilização, o Banco Central (Bacen), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) estabeleceram 2010 como data limite para a adoção das IFRS como padrão de divulgação das demonstrações financeiras consolidadas, tanto para as instituições financeiras quanto para companhias de capital aberto. Com a publicação da Lei nº 11.638/07, a transição para as IFRS tornou-se assunto obrigatório também para as demais empresas. De acordo com a Lei, as demonstrações financeiras do ano de 2010 devem ser apresentadas no formato IFRS e comparadas com as informações publicadas em 2009, o que obriga as demonstrações financeiras do primeiro trimestre de 2009 a estarem adaptadas aos requerimentos das IFRS, tornando possível a comparação.
A adaptação das seguradoras brasileiras às normas IFRS representa muito mais do que uma obrigatoriedade. Esta é uma grande oportunidade de se integrar à nova linguagem internacional da contabilidade, que favorecerá o entendimento das demonstrações financeiras por parte dos investidores, dos órgãos internacionais e de todos os agentes do mercado.
A adoção da IFRS promove uma maior transparência das informações financeiras, pois facilita a comparação das informações financeiras entre empresas do todo o mundo, gerando uma melhoria nas praticas de Governança corporativa, e permitindo que investidores de todo o mundo entendam as informações demonstradas, o que facilita a tomada de decisão por parte dos gestores e aumenta a confiança nos números apresentados.
A transição para IFRS não impacta somente as regras contábeis das seguradoras, impacta a organização como um todo, incluindo tecnologia, controles internos, tesouraria, impostos, jurídico, gerenciamento de caixa entre outros, alem de alterar a apuração dos resultados e conseqüentemente a analise que o mercado faz sobre o desempenho da companhia.
Essa conversão requer mudanças que envolvem funcionários, processos e sistemas, mas, se devidamente planejada e administrada, poderá trazer melhorias substanciais no desempenho das funções financeiras, nos controles internos e na redução de custos.
No processo de adoção da IFRS, podemos nos beneficiar das lições aprendidas durante a fase de implantação vivida em 2005 por aproximadamente sete mil empresas da Europa, entendendo quais foram os desafios enfrentados e os avanços realizados pela IASB durante a adaptação as IFRS.
É necessário que as seguradoras brasileiras iniciem o quanto antes, a avaliação dos impactos que serão gerados pela adoção das normas contábeis internacionais, seguindo o exemplo de empresas Européias que se anteciparam na implantação da IFRS, reduzindo assim os impactos e custos inerentes a uma conversão desse porte.
* Por Rafael Garrido, sócio responsável pela área de Seguros da everis Brasil
Fonte: 09/06/2009 - REVISTA COBERTURA

